Com a aproximação do dia de São Nicolau, ninguém pode deixar de recordar a linda cesta enfeitada do ano passado, e eu, especialmente, achei que seria muito sem graça não fazer nada este ano. Pensei muito no assunto até inventar uma coisa, e uma coisa engraçada.
Consultei Pim, e há uma semana começamos a compor uma pequena poesia para cada pessoa.
No domingo à noite — faltavam quinze para as oito — aparecemos lá em cima carregando uma enorme cesta de lavadeira toda enfeitada de figurinhas e laços de papelcarbono rosa e azul. A cesta estava coberta por uma enorme folha de papel pardo, no qual estava pregada uma carta. Todos ficaram realmente espantados com o tamanho da surpresa que ali vinha embrulhada.
Apanhei a carta e li:
Eis que São Nicolau chega de novo Diferente, porém, da última vez.
Não podemos celebrá-lo com festas
Como fizemos no ano passado.
Nossas esperanças eram muitas, então,
E os otimistas pareciam ter razão
Ninguém supunha que este ano
O receberíamos ainda às escondidas.
Mesmo assim, alegremo-nos no seu dia
E como não temos nada para ofertar
Queiram todos, por favor,
Dentro de seus sapatos olhar.
Ao tirar cada um seu sapato da cesta, foi uma gargalhada geral. Dentro de cada sapato havia um pequeno embrulho com o endereço do dono.