Em muitos meses, este é o primeiro sábado não-angustiante ou monótono. E tudo por causa de Peter.
Esta manhã eu ia à água-furtada pendurar meu avental quando papai perguntou se não gostaria de ficar e falar um pouco de francês. Concordei. Primeiro falamos francês e expliquei algumas coisas a Peter; depois estudamos inglês. Papai leu Dickens em voz alta para nós, e eu me senti no sétimo céu porque estava sentada na cadeira de papai, bem perto de Peter.
Desci às onze horas. Quando voltei, às onze e meia, ele já estava na escada à minha espera. Quando saio da sala — depois de alguma refeição, por exemplo —, se ninguém ouve, ele diz: "Adeus, Anne, até logo mais".
Puxa, como fico contente! Será que ele vai, finalmente, apaixonar-se por mim? Apaixone-se ou não, é um ótimo rapaz, e ninguém imagina que conversas legais tenho com ele!
A sra. Van Daan aprova que eu vá falar com Peter, mas hoje perguntou, só para me arreliar:
— Será que posso confiar em vocês dois, juntos lá em cima?
— Claro! — protestei imediatamente. — Assim a senhora me ofende!
Da manhã à noite estou sempre desejando ver Peter.