O Diário de Anne Frank


Terça-feira, 9 de maio de 1944


Querida Kitty


Acabei a história de Ellen, a fada. Copiei-a em um papel de carta bonito. Achei a história linda, mas será bastante para o aniversário de papai? Não sei. Tanto Margot como mamãe escreveram poemas para ele.

Hoje à tarde o sr. Kraler subiu com a notícia de que a sra. B., demonstradora de nossos produtos, pedira permissão para comer o lanche que traz de casa todos os dias, às duas horas, no escritório mesmo. E essa agora! Ninguém mais vai poder subir, as batatas não vão poder ser entregues. Elli não poderá almoçar conosco, não poderemos ir ao WC, nem nos mexer. Pensamos nas mais loucas e variadas sugestões para afastá-la dali. Na opinião de Van Daan, um bom laxante no café era mais do que suficiente.

— Não — replicou Koophuis. — Peço pelo amor de Deus que não o façam, do contrário jamais a arrancaríamos da caixa!

Gargalhada geral.

— Que caixa? — perguntou a sra. Van Daan. — Que caixa é essa?

Seguiu-se a explicação.

— Posso usar sempre esse termo? — perguntou ela, tolamente.

— Imagine! — riu-se Elli. — Se alguém pedisse uma caixa na loja Bijenkorf, ninguém entenderia.

Oh, Kit, o tempo está tão lindo! Se ao menos eu pudesse ir lá para fora!...


Sua Anne.




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