Guarde bem a data de ontem porque é um dia muito importante em minha vida. É importantíssimo para uma menina o dia em que ela recebe o primeiro beijo, não é? Pois para mim teve igual importância. Já não conta mais o beijo de Bram em minha face direita, nem o do sr. Walker, em minha mão direita.
Ontem, às oito da noite, estava com Peter, sentada em seu divã. Não demorou muito e ele passou o braço pelo meu ombro.
— Vamos chegar um pouco mais para lá — disse eu. — Aqui, acabo batendo com a cabeça no armário.
Ele se afastou bem para o canto, e eu passei o braço sob o braço dele, pelas suas costas.
Eu estava meio encolhida, pois seu braço estava apoiado em meu ombro.
Já havíamos sentado assim outras vezes, porém nunca tão juntos como ontem. Ele me segurou fortemente de encontro a si, com meu ombro esquerdo apertado ao peito; meu coração batia desordenadamente, mas ainda não havíamos terminado. Peter não descansou enquanto não deitou minha cabeça em seu ombro, encostada à dele. Quando, alguns minutos depois, sentei-me direito, tomou-me de novo a cabeça nas mãos e encostou-a junto à dele. Meio desajeitado, alisou meu rosto e meu braço, brincou com meus cabelos. Durante todo esse tempo, nossas cabeças se tocavam. Kitty, é indescritível a sensação que me invadiu durante aqueles momentos. Sentia-me feliz demais para falar e acho que ele sentia o mesmo.
Às oito e meia, levantamo-nos. Peter calçou o tênis para não fazer barulho quando fosse fazer a ronda da casa, e eu permaneci ao lado dele. Como foi exatamente que aconteceu, eu mesma não sei, mas, antes que descêssemos, ele me beijou através dos cabelos no meio de meu rosto e na orelha; enveredei pelas escadas abaixo, sem olhar para lado nenhum. Estou ansiosa para que chegue hoje à noite.